quarta-feira, 27 de maio de 2020


A ESQUERDA PODE ATÉ MARCHAR SEPARADA MAS PRECISA GOLPEAR UNIDA
(José Soares – PT Jabaquara)


A esquerda não precisa ir até o fundo do poço
(Se é que esse poço tem fim)
Para ressurgir com força.


A esquerda já tinha, desde o final da década de 70, suas fraturas e posições diferentes.
Naqueles anos o PT e a CUT se transformaram em enormes guarda-chuvas que abrigavam quase toda a esquerda brasileira.

Naquele momento o partido e a central representavam a unidade.

Por fora desse arco partidário e sindical, existiam raríssimas exceções. A grande maioria dos lutadores e lutadoras se organizavam sob a direção dessas lideranças surgidas a partir do ABC paulista.

O PCdoB e o PCB (que fora chamado de partidão nas décadas de 40, 50 e 60) passaram a ser nanicos se tornando inexpressivos naquele momento.

O PT se constrói como Unidade da Esquerda durante as décadas de 80, 90 e durante todo o governo popular até 2016.

Em 2013 tem início uma nova onda de manifestações populares que acabou sendo capitalizado pela direita culminando na eleição do extremista Jair Bolsonaro.

Vivemos agora uma nova onda política, haverá uma disputa acirradíssima entre setores do centro, da centro esquerda e outros setores para saber qual projeto vai sair vitorioso desse processo:

a) se um projeto capitalista, liberal ou
b) um projeto a esquerda que consiga implementar um programa mínimo de garantias democrática, renda mínima, inclusão social.

A esquerda, diferente de décadas anteriores, hoje se divide em vários partidos e organizações. Frente Povo Sem Medo (FPSM), Frente Brasil Popular (FBP), várias centrais etc. já não há mais uma direção hegemônica inquestionável.

Ativistas, dirigentes, filiados aos diversos partidos, lutadores em geral precisam pressionar contra a mera marcação de posições de cada lado, pressionar por uma união de fato.

Da capacidade de união desses setores e daí sua possibilidade de trazer outras forças democráticas centristas estará determinado o futuro do nosso povo.

Se conseguiremos implantar, o mais rápido possível, um programa mínimo democrático, de solidariedade e inclusão social ou isso ficará para as calendas gregas pós barbárie.

Parafraseando Marx:
Esquerda de todo o país uni-vos.
Despe-se de todo interesse mesquinho.
Nada terás a perder. Muito ao contrário.
Um país inteiro, só tem a ganhar.

sexta-feira, 17 de abril de 2020


EAD VERSUS EDUCAÇÃO REMOTA
NÃO É SOMENTE UMA QUESTÃO DE CONCEITO

REMOTO: origem do Latim (Remotus), que significa removido ou afastado.

EDUCAÇÃO REMOTA: educação realizada a distância facilitada pelo uso da tecnologia e da comunicação. TELEEDUCAÇÃO.

EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA(EAD): MODALIDADE de ensino mediada por tecnologias em que discentes e docentes estão separados espacial e/ou temporalmente.

Com o isolamento social faz-se uso da educação remota: Uso de livros enviados por correspondências, aula na TV, distanciamento temporário etc...

A Educação à Distância (EAD) é uma modalidade de ensino e exige a utilização de uma plataforma para mediar esse processo.

Nesse momento é fundamental utilizar o ensino/aprendizagem remoto para preencher essa lacuna de tempo e não tornar tão longo esse distanciamento;
Tendo todo o cuidado do mundo com aquele que não dispõe dos recursos necessários. Oferecendo várias opções, para que esse processo consiga chegar a todo mundo, evitando assim o agravamento da exclusão escolar; 
Criar oportunidade para quem estiver disposto e possa permanecer conectado a aprendizagem escolar, mesmo, nessa pandemia.

LIÇÕES DA CRISE

No retorno as aula cada escola deverá FORTALECER o aspecto digital;

Toda escola deveria formar equipes voltadas para o fortalecimento das mídias sociais e grupos de estudos on-line;

Essas equipes podem ter como base a Imprensa Jovem, a monitoria de informática etc...





segunda-feira, 23 de março de 2020


QUARENTENA

Na guerra e na doença
As pessoas se agarram a
Seus ódios, amores e emoções

Um vírus invisível
Corre o mundo
Estrebuchamos em convulsões

A boca tinta de sangue
Marcando tal um selo fatal
A vida de cada um

Por variadas causas
Lembramos-nos de nos

Lucidez e coragem
Diante da fatalidade

Delírio, indiferença, pavor mortal
Em face da ameaça latente

A foice cega, implacável
Não se sabe e nem se escolhe
Onde e quando cairá

Na multidão há de tudo
Alguns bebem desesperadamente
Outros choram

Desespero e enlouquecimento
Loucura coletiva

Estado de pânico

Amanhã, depois da Pandemia
Distante no tempo

Para os que ficarem recordar
Viver melhor o seu tempo presente

Agora resta-me ri (...)
(De nervoso)
E escrever o poema.

(Autor: José Soares)


sábado, 2 de novembro de 2019

JAUARETÉ-TAIÁ



JAUARETÉ-TAIÁ
(Autor: José Soares)

Um magnifico dia de sol numa praia deserta o nativo se aproxima e me entrega uma flor. Ela veio da planta do amor Jauareté-Taiá na linguagem indígena. Ela tem o poder de fazer a pessoa sair por aí construindo poesias e escrevendo sobre sentimentos alheios. Você não a encontrará facilmente. Da flor brota o fruto que de repente pode muito bem vir em forma de poemas.

I

OLHOS E CACHOEIRAS

De seus olhos vertem cachoeiras
Estrelas e sonhos irreais
Por isso  escrevo 
Para que eu não me esqueça jamais

Procurei milhares de palavras no dicionário
Encontrei algumas
Que pudessem expressar esse momento
Começo a falar de nuvens e fumaças
Construir no firmamento o país dos sonhos
Onde vejo imagens confusas dos meus pesadelos

Partículas de substancias impalpáveis
Manifestas em cascatas d’água
Suspensas no ar
Irrompem a linha de defesa
Tornando imprevisíveis
A fantasia e a variedade da vida

De seus olhos vertem cachoeiras
Não sei se é real ou criação furtiva de minha imaginação iludida

            Mas eu vi

            Agora resta-me folego para mais algumas poucas palavras
Todo amor é excepcional
Aos sentidos de quem ama

Essa beleza vinha de uma força infinita que pulsava do seu íntimo. Longe de ser padronizada era especial. Uma beleza que mexia com o psicoplasma tornando a pessoa capaz de observar e absorver com maior intensidade as sensações, pensamentos e emoções além de produzir alterações profundas na percepção de quem a contemplasse. Seu encanto impulsionava o acesso a janelas da mente nunca antes imaginadas(...) junto a essa beleza até a eternidade parecia ter um fim tão rápido passava o tempo. Sua ausência fazia um minuto parecer o infinito(...)


II

Chegou... ficou comigo... foi embora. A felicidade nunca!
Tudo é muito rápido nessa história.
Envolve num abraço da saudade esvai-se a bruma da solidão. Meia noite. A lua iluminava o seu corpo inteiro. As estrelas pequeninas, pingos de prata, flores distintas de um jardim misterioso lá de cima, observando tudo. Atravessa a ponte. Tacou-lhe um beijo na boca, um demorado beijo. Tempestade cerebral. Tremor de nervos.
Beijo com furor. O corpo estremece parecia dissolver-se em seus braços.

III

Foge a fértil imaginação desse contador da história qual o movimento das células, a energia dissipada e que forças teriam sido desenvolvidas durante esse beijo. Qual o movimento das línguas?
Se tocaram?
Houve mordida nos lábios?
Impossível descrever com precisão o movimento invisível diantino dos corpos que se tocam nesse beijo profundo. Deu-lhe um beijo na boca e disse:
-Sente essa brisa, sente.
Depois do beijo, disse novamente:
-E agora?
-O que vamos fazer com isso?
Voltaram a se olhar a malícia começa a transparecer em seus quatro olhinhos lascivos. No dia seguinte escreveu-lhe um poema:

IV

A paixão
O amor
O tesão

Explode em células ardentes
Contagia o universo
Toma conta do infinito

Manifesta em dois corpos vulcânicos
Que se perguntam:
-O que vamos fazer com isso???

V

Agora deixa eu te contar o início da história:
Fuma o seu cigarro,

tenta, em vão
abrir uma porta
em sua vida vã.

Acende seu narguilé e fala das noites mal dormidas regadas a álcool e ao sofrimento da vida.
No primeiro dia não viu nem um brilho fulgurante que irradia o universo. Notou na verdade, uma estrela bem pequena, dessas que quando apagam ninguém diz –Que pena!
Pareceu-lhe um brilhante sozinho que ninguém olha para ele, com uma luz bem pequeninha que cabe na casa de um botão.
Isso comprova que a beleza é muito relativa e que no final das contas todo mundo é os dois. É beleza e é feiura. Por uma compreensão subjetiva de nossa mente e interesses muito particulares. Qualquer pessoa, de tradicional modelo ou miss ao nosso vizinho da quebrada ou do condomínio. Ninguém é bela e ninguém é feio a todo momento...é um processo em que a beleza se faz feiura e vice-versa. Por convenções pré-estabelecidas, preconceituosas, na sociedade. A beleza para uma população é fealdade para outra e tudo isso é extremamente relativo.

MUSA

Musa da loucura
Musa da paixão
M`usa e abusa
Pois para todo sempre
Alguém deixará de ser musa.

Como era bom ouvir-lhe falar. Fazia qualquer assunto ficar interessante aquela maneira de pensar e falar sobre as coisas.
Dizia tudo de uma forma muito especial.
Tinha um esforço gigante. Atitude e potencial para “mover montanhas”
O conhecimento dos segredos humano faz-lhe ter atitudes que rapidamente atraem o mundo para si.
Ninguém conhece os segredos humanos senão não seriam “segredos”.
Surge aí uma outra história romântica recheada de poesias. Afinal a poesia é a máxima expressão do romance e quantos poemas belíssimos foram produzidos a partir do amor?

VI

 A PAIXÃO E A POESIA 

Para a poesia
A paixão não é problema
Mesmo que dê tudo errado
Ainda assim
Ela pode
Te deixar um poema!!!

Após essa explosão do amor a confiança na paixão se instala. O tempo, as regras e convenções buscam engessar os sentimentos e a relação não permite mais uma aproximação tão intima.
A distância passa a ser resguardada.
Sofrem por esse distanciamento e tem na poesia o único refúgio.
Preferiam que não se amassem.

ALMA 

A minha alma
foi comida por você
engravidou de poesias
meses depois
o rebento
são esses versos
que te apresento.

A alma dilacerada por um amor que faz da distância um sofrer e o prazer passa a aflorar por caminhos não convencionais da escrita.
Pode-se discutir, muito bem, a relação entre o amor e o desejo e entre o prazer e o gozo, mas não pode ser mais sábio que a realidade.
O real é sempre mais complexo que o esquema teórico.

VII

PAIXÃOZINHA

Paixõezinhas
São aquelas que morrem cedo
Antes de crescerem
Deixam suas pegadas na arte e na poesia
E sempre depois dela vem uma outra
De tamanho indefinido.

A paixão se mistura ao amor e esse se liga ao desejo e para o senso comum não é possível distinguir amor, paixão e desejo.
Simplesmente por palavras não se pode ser feliz.
Sentimentos e palavras se entrecruzam tramando a historicidade e se retroalimentando.

XADREZ DA VIDA

            Antes do xeque mate
            A jogada mais difícil é comer a rainha
O peão não dispõe de bispos, torres, cavalos... e muito menos do reluzente ouro que ornamenta a coroa de um rei envaidecido.
Que lógica imbecil:
Comer a rainha,
A partida ainda nem começou.
Comer a rainha num tabuleiro cheio de cavalos e jegues psicológicos reais e irreais que a protegem tornando-a inatacável?
            No seu mundo careta e agonizante o mais difícil é comer a rainha.
Mas qual seria a graça dele?
Toda a complexidade do tabuleiro natural?
Qual o sentido da vida se ela não permitisse, um dia, que rainhas e peões andassem livremente?
            Antes do xeque mate
A jogada mais difícil é comer a rainha
No tabuleiro pré definido e viciado da vida.
           Atenção!!!
           Não seja comido pelos demônios, que disputam, com ardor e sem cansaço, a grande partida               do tabuleiro vital.
           Em seu castelo imaginário.

FINAL

Imaginei essa história. Vi nela uma intenção, um desejo. Contrasta com a outra, do real, tão cheia de contradições. Ela precisa se transformar num fato consumado. Preciso viver em paz.
Domingo oito horas da manhã. Olha para um lado. Olha para o outro lado. Ninguém.
Tudo não passou de um sonho manifesto em versos. Sonhos que não saem de sua cabeça.
Sonhos que também não saiam de minha cabeça e agora vão-se embora no papel.
Ele com ele, ela com ela, ele com ela, uma aos outros, outras ao outro e umas a umas...amemo-nos, amem.
Sigam navegando em seus barquinhos das ilusões, da realidade e das desilusões...

UM AMOR

Um amor, uma paixão
Desencontrados
Que coleciona nãos

Uma paixão no limbo
Entre a vida e a morte
Que boia no mundo
Sem norte

Se não inspirar um poema
Não vale mais a pena.

VIII

Nunca mais a simplicidade e o arrebatamento do poema. Nunca mais poesias rimando dor com amor. Agora estou pensando o que fazer com essa planta, Jauareté-Taíá. Suas flores, seus frutos e tudo o mais que brotar da sua fertilidade. Misturar a poesia com o conto. Descrever personagens perfeitos. No final somente o ponto.
E isso já basta.









quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O Letreiro(o livro)

O LETREIRO (A primeira e a segunda páginas)
O POVO ANTIGO daqui, diz que existe um mundo perfeito, que está desaparecido, encantado (...)

Ela jamais haveria de concluir a história naquele momento. Isso acaba com toda a expectativa. E ela, como uma boa contadora de causos, sabe que para um conto render e agradar bastante, ele precisa ter um certo (...) suspense.

Tentava, dessa maneira, conseguir dar forma a um lugar utópico, suspendendo o sujeito num espaço confortante, longe do seu mundo brutalizado pelas injustiças do cotidiano.

Essa história tentava recuperar algo bastante desgastado nos dias de hoje, em pleno século XXI, a utopia. Esse sentimento prevaleceu nas pessoas durante vários séculos passados, agora, cada vez mais, parecia uma coisa tão distante.

O mundo estava indo, a cada dia mais, de mal a pior.

Sentimentos xenófobos, machismo, homofobia, racismo, governos arrogantes, uma tendência ao individualismo e outros males estavam crescendo... parecia que o mundo caminhava numa direção onde prevalecia a máxima de:

Cada um por si e todos contra todo mundo.

Eu ficava curioso com a história: A palavra, a leitura, a escrita e a conversa só tem sentido se pela sua magia e capacidade criadora, principal meta da poesia, a nossa gente do povo conseguir superar sua aterrorizante situação, romper as amarras que o prendem a essa situação adversa e conseguir ultrapassar o real na busca do horizonte ideal.

Será mesmo, que aquele letreiro, poderia revelar uma saída harmoniosa para esse fim de mundo?

A luz de neon clareou minha mente, me inspirando a fazer um desenho disfórico de um mundo inóspito.





terça-feira, 29 de novembro de 2016

Imprensa Jovem entrevista José Soares

Link de entrevista de José Soares a Imprensa Jovem na Bienal do Livro de 2016.
https://soundcloud.com/user-908534583/entrevista-jose-soares-dre-santo-amaro

domingo, 5 de junho de 2016

Apontamento sobre Gestão Democrática

APONTAMENTOS SOBRE A GESTÃO DEMOCRÁTICA

Muitos estudos e também a pratica cotidiana da Gestão Democrática em muitas escolas, levam em consideração basicamente o processo de organização da gestão escolar: a formação de Conselhos de Escola, a atuação dos estudantes organizados ou não em diversas formas de movimento estudantil, a ação das Associações de Pais e Mestres (APM), da comunidade e outros atores envolvidos no processo educativo e social do território... Todos participando e fortalecendo a Gestão Escolar de uma maneira democrática.
A Gestão Democrática é muito mais ampla que tudo isso. Ela depende, em sua maior parte, da construção e formação de lideranças nas escolas. 
Em função da diversidade do país o surgimento e a formação de lideranças são fatores decisivos para entender e atuar no aspecto local.
Um dos desafios da liderança é o de conseguir conciliar a autonomia com um padrão de qualidade exigido no processo educativo que seja nacional e tenha equivalência a um padrão mundial já que a autonomia não pode abdicar dessa inserção global ao qual estamos submetido e é constantemente avaliado na locomoção do ser humano pelo planeta terra.
A Gestão Democrática muito mais que uma superestrutura da educação ela envolve o papel subjetivo mais objetivo que existe que é a liderança. O contexto da liderança democrática. A qualidade dessa liderança.
Na Gestão Democrática a liderança cumpre um papel sistêmico e o salto de qualidade na educação será determinado pelo envolvimento dessas lideranças em seu objetivo de buscar essa qualidade.
Uma excelência na qualidade dos professores precisa de grandes lideres na gestão. Ela é focada no ensino aprendizagem e no desenvolvimento das pessoas, isso gera mais autonomia e mais responsabilidades e os sistemas que alcançam um maior desempenho ganham maior autonomia e a possibilidade de influenciar os mais fracos.
Num sistema de Gestão Democrática não cabe apenas a uma pessoa à sua supervisão, ela cabe também aos alunos a partir de suas organizações, a comunidade, aos professores e não precisa obedecer a um calendário pré-definido...é continuo.
Com um processo de Gestão Democrática é possível aumentar o interesse de toda a população pelo processo educativo. Aumentando a procura e interesse pelo desenvolvimento da escola, das mídias, redes sociais e outros canais de divulgação de suas atividades. Aumenta o interesse pelas ações de aprendizagem integral desenvolvidas pelas unidades de ensino e aumenta o acesso aos sites das Secretárias de Educação e do MEC.
O grande funil que dificulta o desenvolvimento da Gestão Democrática é a falta de lideranças comprometidas com esse processo... portanto identificar e intensificar a formação de lideres apropriados é fundamental.
O diretor, o supervisor, o coordenador, professores, estudantes e familiares...enfim tod@s que se preocupam com a qualidade da educação e da Gestão Democrática devem ser identificad@s e impulsionad@s.
A igualdade de gêneros, a diversidade, a ação dos direitos humanos são elementos impulsionadores do surgimento dessas lideranças.
As lideranças são das escolas, elas emergem das escolas com suas experiências, conflitos etc. são alçados a condição de lideranças.
Surgem criando novas soluções, novas estruturas, novos padrões e ela não é única e sim compartilhada.
O processo de Gestão democrática é nada mais que a construção de lideranças que superem as declarações e mostrem evidencias.
O Brasil, país formado a partir de seus povos originários, indígenas, povos africanos, que mesmo odiosamente escravizados trouxeram sua cultura para o país como uma das formas de resistências, europeus das mais variadas matizes exploradore(a)s e explorado(a)s... oferece um padrão de diversidade que qualifica para o exercício da Gestão Democrática e formação de lideranças.

O fundamental é que no lugar de procurar a dificuldade, tod@s nós deveríamos incentivar as iniciativas democráticas que já existam e a partir daí se constituirão. Essas iniciativas vão se espalhando pelos mais diversos sistemas educacionais e unidades de ensino. As lideranças  impulsionarão a qualidade do ensino aprendizagem na sua região se espalhando por todo território nacional.

sábado, 24 de outubro de 2015

Nem aprovação automática nem reprovação insana

NEM APROVAÇÃO AUTOMÁTICA NEM REPROVAÇÃO INSANA

Caminhar num fio tênue entre a aprovação automática e a reprovação insana.
A avaliação é um fato!
Constantemente avaliamos e somos avaliados.
A avaliação também é ideológica vejam esses versinhos:

"Tudo o que procuro acho,
Eu pude vê nesse crima,
Que tem o Brasi de baxo
E tem o Brasi de cima.
Brasi de baxo, coitado!
É um pobre abandonado;
O de cima tem cartaz,
Um do ôtro é diferente;
Brasi de cima é pra frente,
Brasi de baxo é pra trás".

(Patativa de Assarè)

O autoritarismo reprovou esses versos que, para eles, não tinham valor nenhum.
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) aprovou e Patativa foi ovacionado quando apresentou-o num congresso da Sociedade em plena Ditadura Militar.
A aprovação automática virou sinônimo de um estudo sem objetivos, sem qualidade...e com resultado duvidoso...adultos vendo as crianças saírem da escola sem saber ler e/ou escrever...passaram a contestar esse procedimento.
A educação pressupõe o diálogo (Paulo Freire). O diálogo pressupõe a escuta.
Sejamos coerentes com nossas concepções freirianas. Escutar é ouvir a sociedade que diz em alto e bom som que não aceita a aprovação automática e também não quer a reprovação excludente e insana de décadas passadas.
Como alternativa a esses dois caminhos precisamos buscar outro:
Nem aprovação automática nem reprovação insana...
Aprovação louvável para tod@s!

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Podemos sonhar duas vezes?

PODEMOS SONHAR DUAS VEZES?

Nossa geração vem realizando o sonho de sua vida:
Todo mundo na escola,
A universalização do ensino!
O fruto do esforço de toda uma geração vem sendo realizado,
Agora um novo sonho toma forma:
Uma educação de qualidade para todo mundo.
Filosoficamente qualidade é um conceito discutível.
Por intuição, todo mundo sabe o que é uma boa qualidade.
Vamos sonhar novamente!


sexta-feira, 5 de junho de 2015

quinta-feira, 17 de julho de 2014

DIPLOMA NA MÃO:

Sabendo ler, escrever, contar e se virar no mundo! 

Com as novas mudanças propostas para a educação na cidade de São Paulo, abriu-se uma discussão de que o objetivo principal do ensino é reprovar. Falso debate!
A meta básica de todo professor e toda professora é: ensinar a ler, escrever, contar e levar o estudante ao aprofundamento do conhecer o mundo para cuidar melhor do planeta, de si mesmo e do próximo.
Impossível, para o cidadão: pai, estudante, gestores, educadores... aceitar que a escola certifiquem formandos que não sabem ler, escrever e fazer cálculos básicos.
Um conjunto de propostas para melhorar a educação foi apresentado pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo no ano de 2013, que se chamou projeto "Mais Educação", entre eles:
 -            O curso Fundamental passa a ter três ciclos: alfabetização, interdisciplinar e autoral, com três anos cada;
b -      A busca pela jornada integral com o fim do turno intermediário (conhecido como turno da fome) e a possibilidade de ampliação da permanência do estudante na escola durante todo o dia;
c   -           Organização e divulgação do Regimento Educacional com o conjunto de normas que define a organização e o funcionamento da unidade escolar;
d-             Nenhum aluno poderá deixar a escola sem ter os conhecimentos básicos em ciências, saber ler, escrever e calcular. É o fim da aprovação automática!
É nesse último item que surgiram críticas dos plantonistas sem causa. Elas tem se apegado e vem dizendo que a ênfase é na reprovação, estão culpando a vítima, tadinho do aluno que vai ser traumatizado e blá blá blá...
O objetivo principal, a grande meta é manter os índices de aprovação,  mais que isso, aumentar a quantidade de pessoas aprovadas, mas diferente de antes, com o estudante sabendo realmente o conteúdo de suas séries e caso não saiba ele terá várias outras oportunidades como: reforço, cursar a disciplina em que tenha dificuldade no contra turno, grupo de estudo, etc...
A avaliação deve servir a causa do bom aproveitamento nos estudos: dar rumo, reforçar pontos fracos... antes que o estudante chegue ao final do ano ou do curso e não tenha aprendido o básico.
O projeto foi apresentado à sociedade, aberto a sugestões e incorporado várias propostas de melhorias apresentadas pelos paulistanos.
Esta na hora de o estudante ao passar de ano e concluir o ensino fundamental, saiba realmente, ler, escrever, contar e tenha noções de artes, ciências, práticas esportivas, língua estrangeira.... consiga se virar no mundo!


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

                                                              PÁTIO DO COLÉGIO

domingo, 19 de janeiro de 2014

O livro

O LIVRO

O livro é um mudo que
Fala, um surdo que
Responde, um cego que
Guia, um morto que
Vive, e não tendo ação
Em si mesmo, move os
Ânimos, e causa
Grandes efeitos...


Pe. Antonio Vieira (1652)
                                                                                           


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

CAROLINA



CAROLINA, PROFESSORA, TINHA COMO HÁBITO ANOTAR TUDO QUE ACONTECIA NA ESCOLA E NA SALA DE AULA. Não era bem um diário, apenas apontamentos que fazia não sabia bem por qual motivo: para desabafar consigo mesma, ler depois quando se aposentar, publicar um livro... Ela ia anotando tudo, depois veria o que fazer com aquilo.
Estava retornando das férias e numa noite quente, ventilador ligado, acabara de ler As Pelejas de Ojuara. Foi dormir e sonhou com a cidade de São Saruê, onde: “As rochas eram de doce rapadura, o milho já saía do sabugo debulhado, e corriam riachos de leite e de mel, entre barreiras de carne assada e atoleiros de cuscuz.” (...)
O lugar querido da imaginação de poetas, cantadores, vaqueiros e todos os sertanejos que sonharam partir de sua realidade dura da terra de sol e seca para o Eldorado perdido no fim do mundo com chuva de ouro em pó, brilhantes, cristais, e demais maravilhas que a imaginação humana consiga visualizar. Vai se deparando com uma realidade tão rude como a do caboclo da caatinga e finalmente percebe a profundidade da situação ao seu redor.
Acordou e saiu depressa para o trabalho. “O primeiro dia de aula é o melhor do ano letivo!” Pensou.
Começa uma semana de planejamento. Essa é pautada pela necessidade de inclusão da criança e jovens com necessidades especiais. “uma proposta maravilhosa!
 Naquela mesa, no meio dos debates, surge a pergunta:
-Professor é uma profissão ou sacerdócio?
-Professor hoje é um castigo! Respondeu em tom de brincadeira. Ainda lembrando-se do sonho da noite passada e querendo descobrir o que diabo é “gota serena”.
Fim do planejamento e começo das aulas, Carolina passa a escrever tudo que chama a atenção na escola: a aula, a sala dos professores, o dia a dia dos alunos e alunas.
Os alunos querem aprender.
As meninas da quinta série estão bem nesse início de ano.
Percebe-se o avanço que elas trouxeram da quarta série. Agora é tudo novidade: vários professores, mudança de sala...
A quinta F está se comportando muito bem.
Toca o sinal e ela muda de sala. Faz a chamada, indica uma comanda de aula, passa a lição e começa a registrar:
Pegaram uma caixa de leite vazia que estava no cesto de lixo e chutaram para o outro, como se fosse uma bola de futebol.
Hoje na aula de Matemática o assunto foi equação do 1º grau. Alguns alunos resolveram com facilidade, outros não abriram o caderno.
Continua escrevendo...
Têm estudantes que não sabem o que estão fazendo na escola e a instituição escolar tão pouco sabe o que fazer com eles. Não gostam do estudo. O professor tem que “se virar” para que esses meninos fiquem motivados. Anotou tudo.
Pergunta sobre a escola, o aluno responde:
-A escola serve para ensinar a escrever, a ler e a contar. A escola é boa. A escola é o nosso futuro. Tem pessoas que vão à escola para estudar e têm outras que vão para brincar. Eu sou muito interessado na escola. Eu gosto muito da língua portuguesa.
Aquela resposta sobre língua Portuguesa deixou-a animada. Ela também gostava muito da sua língua materna e adorou quando o escritor Nei Leandro havia citado as misteriosas palavras regionais: reiado, gota serena, vôte, oxente, vige Maria, galado, pantanha, pantim, vuco-vuco, rugi-rugi, sibiti baliado, lambe oia, mangar, priziaca, sostô, ruma e outras lidas no livro da noite anterior.
Um Oasis Pedagógico
Cada sala de aula, cada aluno tem sua especificidade tem dias que uma turma muda completamente... Nem parece a loucura dos outros dias!
A seleção brasileira jogou ontem à noite e venceu por três à zero. Talvez por isso, hoje eles estão calmos e fazem a lição.
É assim mesmo! Quando o time de sua preferência vence uma partida de futebol ou conquista um campeonato, isso serve de motivação, conforto e deixa-os com mais vontade estudar.
Eles estudaram o teorema de Pitágoras. Perguntam, tiram dúvidas; quando termina, conversa com o colega ao lado, sem gritos. Conversa baixinho como se estivesse no cinema do “Shopping Center”. Uma aluna tira dúvida com o colega, pergunta ao professor se está certo. Ah, se todos os dias fossem assim! Registrou em seu caderno.
A Aluna pediu um poema
A professora Carolina gostava muito de literatura e poesias. Já tinha recitado poemas de Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Patativa do Assaré e Augusto dos Anjos. Uma aluna na última fila pediu-lhe um poema.
-Eu quero uma poesia sua professora.
Ela pensa muito, inspira-se e fez a poesia Adolescência:
“Ela me pediu uma poesia.
Tão bonita,
Jovem,
quatorze anos.
Quase menina,
quase mulher.
Flor do campo florindo
perfume de jardim.
Brilho estudantil
pediu-me um poema.
Meu coração mole não pôde negar!”
Tem dias que a sala “Vira”
 Virar, nesse caso, é como o que ocorria na Febem, ocorre em presídios, onde se perde totalmente o controle. Isso acontece também na sala de aula, quando se perde o controle e a situação fica propícia ao caos. Onde todos os riscos existem e o que passa na cabeça do professor nesse momento é sair da sala e pedir socorro para alguém de fora: um inspetor, coordenador ou direção.
“Um oficial não larga a tropa”. -pensa.
Os alunos ficam em pé, conversam, gritam, não querem saber de nada! Ficam todos falando ao mesmo tempo. Jogam papel uns nos outros, gritam, riem muito alto, incomodam.
Nesse dia, na sala dos professores, a única coisa que pode dizer é que dar aula é um castigo.
Mais uma semana que eles choraram
A professora saiu de casa para dar duas aulas, deixou a sala chorando e não voltou mais no resto da semana, gastou parte do salário em medicamentos.
“O professor trabalha numa situação adversa ensinando para aqueles que não querem aprender”
Voltou a pensar em São Saruê num dia em que todos entrassem na sala com vontade de estudar. Como gostaria de uma escola onde houvesse respeito entre todo mundo, boa educação, tecnologia a disposição de todos os alunos e alunas, professoras, educadores e demais funcionários, uma escola democrática e que formasse todos e todas para a vida.
Mas aqui, e é assim em outros lugares também, em algumas salas de aula existe um grupo numeroso, às vezes metade da classe, que está ali sem o menor entusiasmo a respeito do conteúdo transmitido.
Vai à escola por vários motivos:
Encontrar os amigos e amigas ou namorados e namoradas na segurança dos “entre - muros” escolares;
Receber o leite que será doado ao fim do mês e por isso não pode faltar;
Ter direito à alimentação diária;
Por obrigação dos pais que saem para trabalhar e não querem deixá-los na insegurança das ruas, becos e vielas;
E outros motivos particulares. Fora do interesse em adquirir conhecimentos científicos básicos ou ler, escrever e calcular;
Esses grupos, mesmo quando menores, conseguem fazer barulho, intimidar e impor a desordem no ambiente que freqüentam. Desabafa.
 Anota os detalhes pensando no dia em que esses seus textos cheguem a outras pessoas e denunciem o sofrimento, daquele dia, em sua situação de mestre.
Carolina sabe que o debate é mais profundo: que fatores extraclasses influenciam o comportamento dos alunos. Situação sócio-econômica, conjuntura nacional e mundial, crescimento econômico ou perspectiva de crise, até mesmo o papel da escola: se uma escola é conformista e visa manter a estrutura ou se exerce uma formação crítica libertadora, tudo isso influencia a aprendizagem e na motivação dos alunos, existem tantas outras questões que poderia estar escrevendo sobre a educação. Mas naquele momento ela queria mesmo era desabafar.
No fim de semana foi à escola para conhecer melhor os alunos, a família, o bairro, a rua, as vielas e os becos. Ela viu crianças e adolescentes estudiosos que não estavam fazendo lição de casa. Foi à escola e encontrou outros alunos jogando futebol na quadra. Nesse fim de semana teve jogo na escola: aí pode ver a situação de alguns estudantes, nem sempre os piores da sala, muitos, bons alunos, jogando bola sem o menor cuidado com a segurança. São acostumados a jogar pelada na rua, descalços, vários deles não têm dinheiro para comprar tênis, ficam o dia inteiro correndo e não se alimentam.
Eles carregam energia, disposição e sonhos.
Voltando para casa, perguntou-se... De quem será mesmo o castigo

P.S. Crônica publicada no livro "Oiteiro" em 2012.